"Se há algo que pode ser chamado de grande na terra é a dedicação ao próximo."
Madre Agathe Verhelle
Busca  

Formação Continuada dos Pais

Crise à vista

Quarta-Feira, 21 de Março de 2012 às 07h00

Era uma vez...

Todos nós poderíamos começar nossas vidas com um conto. Quantas histórias poderíamos contar aos filhos, netos, bisnetos...
Na nossa vida quando pensamos em realizar nossos sonhos imaginamos, sonhamos e executamos. Resolvemos dizer "sim" um ao outro e daí casamos.
No começo muitos olhares, palavras meigas, encantadoras, tudo o que faz o outro crescer. No meio popular se diz que: "deixa o tempo passar para ver se isto continua". É difícil para quem está começando sua vocação matrimonial acreditar que estes momentos terão fim, ou sofrerão abalo sendo sufocados pelo dia a dia.

Muitos são os motivos que invadem a relação conjugal e desgastam os casamentos.

Individualismo – o nosso tempo está cheio de personagens que só olham para si, e querem tudo para si. Quando criança, aprendemos primeiro nas operações matemáticas, a somar, achamos muito fácil, juntamos, somamos e, quando fomos aprender a dividir, tudo ficou difícil. Trazendo isto para nossas relações o que poderíamos somar? Nossas alegrias, sucessos, vitórias, conquistas, mas quando chega a dor, a partilha, por muitas vezes nos esquecemos que um dia foi dito por nós: "prometo ser fiel na alegria, na tristeza..." e, em muitos momentos, não nos encontramos abertos para esta divisão. Começam então alguns atalhos que nos vão tirando da estrada principal.

Ciúme – muitas vezes adoecemos e não conseguimos sair deste momento que estraga, enfraquece, distancia. Muitos casais não conseguem viver uma relação bonita de confiança. Hoje com muitos meios de comunicação encontramos alguns casais se perseguindo, procurando pistas, sendo detetive no dia a dia do seu parceiro, por não confiar no outro, naquele que lhe jurou fidelidade. Hoje encontramos nos casais sentimentos que invadem sem pedir permissão e assim vão se trocando experiências que distanciam um do outro. Também a permissividade que nos é mostrada pelos vários meios de comunicação vai incentivando a troca de parceiro, e o rápido apagar das emoções vividas por sentimentos frágeis e avassaladores. Estamos inseridos num momento em que tudo é relativo e tudo posso, esquecendo-nos das palavras do apóstolo Paulo na sua carta onde nos fala "...tudo posso mas nem tudo me convém..."

Ter razão ou ser feliz? – quando se fala em casamento encontramos muitos momentos de disputa de território. Alguns se sentem injustiçados e vivem relações conflituosas de poder. Levando para o campo do trabalho, encontramos novas frentes surgindo uma mudança de papéis. Antigamente víamos muito claro o lugar da mulher que tomava conta da casa, da roupa e educação dos filhos; o homem carregava consigo a ostentação de poder por ser o gerenciador dos créditos financeiros para a sobrevivência de toda a casa. Hoje no século XXI, estamos assistindo a um novo filme aonde esta vivência vem sendo trocada e experimentada com novas funções. Perguntamos-nos: como esta geração foi preparada para serem os atores deste novo tempo? Que papel a Sagrada Família nos aponta? Onde podemos buscar ajuda? Precisamos viver este tempo novo com amorosidade, onde os papéis se completam não abafando o lugar do outro, onde são resolvidos com clareza o que posso, como posso, e o que precisamos nos completar.

Aceitar o outro como ele é – está aí uma grande dificuldade numa época onde o descartável impera. Cada um quer para si o que lhe completa, da sua maneira e do seu jeito. Não se dá chance ao outro de construir consigo uma parceria, onde os meus erros e meus acertos são compreendidos, mas não consigo compreender o outro em suas dificuldades. Muitas vezes não sabemos lidar com as diferenças, queremos sempre que o outro faça os nossos desejos. O diferente é sempre muito difícil. Eu quero ser compreendido mas tenho pouca estrutura para lidar com os erros do outro, para compreendê-lo. Quero dizer que com o tempo precisamos lidar com características que vão aparecendo e tornando cada momento uma aprendizagem nova, aquecendo amorosamente as relações. Não devemos ter nossas relações como contos de fadas onde sempre as coisas acontecem e em um passo de mágica se resolvem. Muitos problemas precisam ser buscados suas soluções muito antes, onde nós ainda não nos conhecíamos. Precisamos conhecer o nosso esposo(a) bem intimamente, para muitas vezes entendermos alguns traços de sua personalidade. Em algumas situações precisamos de um profissional que nos ajude nesta descoberta.

O desejo de envelhecer ao lado da pessoa amada é o que nos motiva como casais a superar essas dificuldades. Para não chegar nesse tempo de desgaste, de rotina, precisamos sempre nos apoiar um no outro, não sermos isolados, carrancudos, sempre zangados. É bom nos conhecermos todos os dias, vestir uma couraça de proteção, tudo isto pode ser mudado.

Algumas dicas seguem junto a estas dificuldades:

• Amar – o amor tudo suporta;
• Ser paciente;
• Ser alegre;
• Apresentar-se ao outro por inteiro;
• Ser amável;
• Sempre conquistar o outro, dia a dia;
• Sempre desculpar-se;
• Permitir que o outro cresça;
• Sonhar junto com o outro;
• Viver intensamente dia a dia conquistando o outro com atitudes e gestos;
• Rezar juntos.

A palavra tempo nas enciclopédias significa que o fato está acontecendo relativamente no momento em que se fala. Para nós casais o tempo é que fala em nossas vidas. Vamos dar tempo ao tempo e assim sermos felizes até que a morte nos separe. Amem-se...

Márcia Calado – psicóloga, especialista em família, psicomotricista RAMAIN THIERS
maccalado@yahoo.com.br



      


Outros Temas

2001 - 2012
Colégio DAMAS - Av. Rui Barbosa, 1426 - Aflitos - Recife/PE - CEP: 52050-000
Fone: (81) 3241 6690 - web@colegiodamas.com.br